18. Janelas e pés descalços
- Nesc
- 30 de jul. de 2020
- 1 min de leitura

PRATOS DA SÉRIE “ÁGUAS”
Em exibição no Solar da Baronesa, na exposição Confidências da Terra, de Zandra Miranda.
Cerâmica queimada em alta temperatura com vidro fundido.
Foto de Ricardo Coelho
2020
Hoje eu gostei da mulher grisalha que eu vi no espelho do banheiro. Olhei no fundo do olho fundo. Parece que a pandemia quer ensinar, e às vezes nos coloca virada para parede com chapéu de burro. Não sei se este método vai funcionar. Meus pés desconhecem os sapatos. Só existem meias! Quero mais corredor de ir e vim sem bordas. Para passar para lá. Além de um abridor de amanhecer, preciso de um aspirador de isolamento, bem silencioso para tirar toda a poeira. É muita. A arte de ficar em casa, vivendo por janelas, cansa irritantemente. Seja ao vivo ou reprises, continuo olhando quadrado. Toda quarta-feira o caminhão da limpeza urbana passa às oito da noite. E todo quarteirão escuta ao mesmo tempo. Parece magia aquela oportunidade de encontro. O rádio também faz isso sempre, mais na sexta, quando ficamos baiano
[Cássia, 6 de junho de 2020].
Comments